La forme et le fond
Cahiers du Cinéma #122, Fritz Mourron
Enfin, sonnez, trompettes ! Grâce à Jerry Lewis, l’équation magique peut enfin s’écrire : « Film = Gag ». Finies les contraintes qui, au nom des préjugés, des conventions, des habitudes acquises, du manque d’imagination alourdissaient un film burlesque comme les enjolivures d’une automobile : volatilisés pare-brise, capot, carrosserie, pare-chocs, phares, essuie-glaces. Restent le châssis : l’enceinte d’un palace ; le moteur : les bévues d’un groom ; le volant : Lewis.
The Bellboy est un film sans intrigue, sans cohésion, sans progression dramatique. J’écrivais récemment : « Tout gag peut se décomposer en trois temps : 1) un cadre, 2) une action donnée, 3) l’aboutissement de cette action, à la fois logique et saugrenu. » The Bellboy est un kaléidoscope de ce que les Américains, en littérature, appellent les short-stories. Les amoureux roucoulants, les méchants bandits à punir, les trésors à conquérir ont disparu. The Bellboy est un vaste album humoristique dont on peut tourner dans n’importe quel ordre, détacher, sauter les pages. Pour une fois, la publicité ne nous recommandera pas d’arriver pour le début ou de ne pas dévoiler la fin : il n’y a ni fin ni commencement. Rien que la succession gratuite et arbitraire de scènes homogènes et indépendantes.
Pour une telle expérience, le fond et la forme échangent leurs significations : le fond, l’élément de base, le principe primordial est bien cette façon nouvelle de présenter un film comique. Le fond, donc, répond à toutes nos attentes. Et la forme, c’est-à-dire ici le cadre, le thème des gags, les péripéties, ne servant que d’exemple pratique à la démonstration, est d’une importance heureusement secondaire. Car The Bellboy n’est pas un film très drôle.
Cela tient à deux contretemps, dont l’un seulement est imputable à Jerry Lewis. Certes, il a parfaitement calculé sa cadence, en accordant deux minutes environ à chacun des épisodes présentés. Exposition, développement, chute : le rythme est parfait, plus rapide que les sketches de Tati, moins harassant que les flashs de Zazie. Mais l’on a l’impression qu’arrivé à sa quarante-cinquième idée comique, Lewis a calculé : « En voilà pour une heure et demie », et, satisfait, a écrit le mot Fin au bas de la pellicule. Pour qu’un film de ce genre fût réussi, il eût fallu — c’est peut-être le cas, mais il n’y paraît pas — que les gags qui le composent constituassent le gratin de centaines d’idées préalablement soumises à une rigoureuse sélection. Où sont les kilomètres de pellicule rejetés par un Chaplin intransigeant ?
Le second malaise vient du public lui-même. « Si vous croyez que c’est gai, le bonheur », disait Servais-Maupassant à la dernière image du Plaisir. À voir la salle attentive, mais figée du Paramount, on peut se demander si c’est drôle, le comique. Débarrassé de la connivence complaisante d’une histoire à raconter, le film de Lewis fait figure d’un défilé d’échantillons, et le spectateur prend des allures d’examinateur.
Le sacro-saint principe de l’identification au héros ne joue plus, puisque le héros n’a pas de vie cohérente. Ce sont de graves hochements de tête approbateurs, non des éclats de ris, qui saluent les meilleures trouvailles. On voit très bien les fauteuils d’orchestre prendre des notes : « Le gag du moteur d’auto : mention bien. L’histoire des quatre téléphones : félicitations du jury. Le pilotage de l’avion : des idées, mais doit faire mieux, etc. » Et le balcon se répandre en considérations philosophiques, rêver, par exemple, au singulier hommage que Jerry Lewis croit rendre à son vieux maître Stan Laurel (hommage sincère, Lewis a dit sans cesse son admiration pour lui).
Mais de contact spontané salle-écran, point. Peut-être The Bellboy manque-t-il par trop de poésie et d’imprévu, le registre de Lewis étant très limité. Beaucoup de gags sont axés sur le même principe, la modification radicale d’une situation, ou d’une image, sur l’autre. Un éventail d’idées plus large, plus déroutant nous aurait peut-être replongés dans cet état de grâce sans lequel un film n’est qu’une succession d’images, intéressantes parfois, mais dépourvues d’envoûtement.
Maladroit, en deçà de ses propres possibilités, The Bellboy n’ouvre pas moins la route. Un médiocre précurseur vaut peut-être les plus achevés des aboutissements. Et il est sympathique de penser que l’impulsion nouvelle est donnée par un homme qui ne devait ses succès commerciaux qu’à des pitreries surannées, à des gags antédiluviens, et ses succès d’estime qu’à la valeur du seul grand réalisateur qui sut le diriger. On pouvait tout craindre du Trouillard du Far West, aussi complètement livré à lui-même. Et le voici lancé à corps perdu dans l’anticonformisme. Jerry Lewis, pionnier ? La surprise est agréable.
Afinal, toquem as trombetas! Graças a Jerry Lewis, a equação mágica pode finalmente ser escrita: "Filme = Gag". Fim das limitações que, em nome de preconceitos, convenções, hábitos adquiridos ou falta de imaginação, pesavam sobre o filme burlesco como os enfeites de um automóvel: pulverizaram-se para-brisa, capô, carroceria, para-choques, faróis e limpadores. Restam o chassi: as dependências de um hotel de luxo; o motor: as trapalhadas de um mensageiro; o volante: Lewis.
The Bellboy é um filme sem enredo, sem coesão, sem progressão dramática. Escrevi recentemente: "Qualquer gag pode ser decomposto em três tempos: 1) um cenário, 2) uma ação dada, 3) o desfecho dessa ação, ao mesmo tempo lógico e esdrúxulo." The Bellboy é um caleidoscópio do que os americanos chamam, na literatura, de short-stories (contos breves). Os amantes piegas, os vilões maus a serem punidos e os tesouros a serem conquistados desapareceram. The Bellboy é um vasto álbum de humor do qual se pode folhear em qualquer ordem, destacar ou pular páginas. Por uma vez, a publicidade não nos recomendará chegar a tempo para o início ou não revelar o final: não há nem fim nem começo. Apenas a sucessão gratuita e arbitrária de cenas homogêneas e independentes.
Para uma experiência como essa, o fundo e a forma trocam de significado: o fundo, o elemento básico, o princípio primordial é justamente essa nova maneira de apresentar um filme cômico. O fundo, portanto, atende a todas as nossas expectativas. E a forma — isto é, aqui, o cenário, o tema dos gags, as peripécias —, servindo apenas como exemplo prático para a demonstração, é de uma importância felizmente secundária. Pois The Bellboy não é um filme muito engraçado.
Isso se deve a dois contratempos, dos quais apenas um é imputável a Jerry Lewis. É verdade que ele calculou perfeitamente seu ritmo, concedendo cerca de dois minutos para cada um dos episódios apresentados. Exposição, desenvolvimento, fecho: o ritmo é perfeito, mais rápido do que as esquetes de Tati, menos exaustivo do que os flashes de Zazie. Mas tem-se a impressão de que, ao chegar à sua quadragésima quinta ideia cômica, Lewis calculou: "Pronto, isto dá uma hora e meia" e, satisfeito, escreveu a palavra Fim na parte inferior da película. Para que um filme desse tipo fosse bem-sucedido, seria necessário — talvez seja o caso, mas não parece — que os gags que o compõem constituíssem a elite de centenas de ideias previamente submetidas a uma seleção rigorosa. Onde estão os quilômetros de película descartados por um Chaplin intransigente?
O segundo mal-estar vem do próprio público. "Se você pensa que a felicidade é alegre", dizia Servais-Maupassant na última imagem de Le Plaisir. Ao ver a plateia atenta, porém estática, do Paramount, pode-se perguntar se o cômico é engraçado. Desprovido da convivência complacente de uma história para contar, o filme de Lewis assume a forma de um desfile de amostras, e o espectador ganha ares de examinador.
O sacrossanto princípio da identificação com o herói já não funciona, visto que o herói não tem uma vida coerente. São graves acenos de cabeça aprovativos, e não gargalhadas, que saúdam as melhores sacadas. Dá para imaginar perfeitamente as poltronas da plateia tomando notas: "A piada do motor do carro: menção honrosa. A história dos quatro telefones: parabéns do júri. A pilotagem do avião: boas ideias, mas precisa melhorar, etc." E o balcão se derramando em considerações filosóficas, sonhando, por exemplo, com a singular homenagem que Jerry Lewis julga prestar ao seu velho mestre Stan Laurel (homenagem sincera, já que Lewis expressou incessantemente sua admiração por ele).
Mas quanto a um contato espontâneo entre a sala e a tela, nada. Talvez The Bellboy peque por excesso de falta de poesia e de imprevisibilidade, sendo o repertório de Lewis muito limitado. Muitos gags baseiam-se no mesmo princípio: a modificação radical de uma situação, ou de uma imagem, sobre a outra. Um leque de ideias mais amplo, mais desconcertante, talvez nos tivesse mergulhado de volta naquele estado de graça sem o qual um filme não passa de uma sucessão de imagens, às vezes interessantes, mas desprovidas de encanto.
Desajeitado, aquém de suas próprias possibilidades, The Bellboy não deixa de abrir o caminho. Um precursor medíocre talvez valha mais do que os desfechos mais acabados. E é simpático pensar que o novo impulso seja dado por um homem que devia seus sucessos comerciais apenas a palhaçadas ultrapassadas e gags antediluvianos, e seus sucessos de crítica apenas ao valor do único grande diretor que soube guiá-lo. Podia-se temer tudo do protagonista de O Trouxa do Far West, tão completamente entregue a si mesmo. E ei-lo lançado de cabeça no anticonformismo. Jerry Lewis, um pioneiro? A surpresa é agradável.
Fritz MOURRON
Jerry Lewis. Texto publicado em Agosto—1961.